sábado, 5 de janeiro de 2008

Coisas palpáveis

Não, não vou discorrer sobre a teoria de que mulher "precisa ter carne" e que, por isso, seria pura besteira passar fome para emagrecer aqueles quilinhos a mais que insistem em habitar nossos corpos. Vou falar de coisas palpáveis, no sentido mais literal da palavra.

Guardo umas três caixas no meu armário com algumas das lembranças mais preciosas da minha vida: cartões-postais enviados por amigos durante suas viagens, cartinhas trocadas com as primas e amigas que moravam longe, folhas de cadernos com poemas escritos por amigas durante aulas enfadonhas (poemas do Vinícius, o maior tradutor da nossa inquietude adolescente), cartões de aniversário e de Natal, enfim, papéis de verdade, com letras de verdade.

Seguindo uma tradição familiar, nesse ano resolvi enviar cartões de Natal para alguns amigos e familiares (tudo bem que calculei mal a quantidade necessária e acabei enviando para menos da metade das pessoas que eu gostaria, mas abafa o caso). Ontem recebi uma mensagem enviada por uma amiga que já tem filhos da minha idade, dizendo que meu cartão havia sido o único a enfeitar sua árvore. Ninguém mais havia enviado um cartãozinho sequer para a sua residência.

Isso me levou a pensar nas minhas caixinhas de recordações e confesso que me bateu um saudosismo antecipado. Será que no futuro as pessoas não escreverão mais cartinhas e cartões "palpáveis", que possam ser guardados em caixinhas? Nada contra as mensagens virtuais, a não ser pelo fato de que elas não podem ser carinhosamente dobradas e guardadas. Tá, você pode imprimi-las, mas que graça tem guardar um papel com meras fontes do Word impressas, sem o calor da grafia do remetente?

Sinto agora uma vontade enorme de pegar um bloquinho e sair escrevendo mensagens e cartinhas para meus amigos e familiares que moram longe, só para imaginar a surpresa que eles terão ao receber mensagens à moda antiga.

Se você leu esse texto concordando com todas as palavras que eu escrevi, agora senta e chora: sinto muito, estamos ficando velhos(as)!

Feliz 2008 para todos!

5 comentários:

Lívia e Miguel disse...

É, realmente lendo isso vejo mais e mais que o mundo ta tão diferente.
Antigamente era tão legal a pessoa te mandar uma cartinha com noticias. Eu guardo com carinho todas as cartas que recebi dos meus amigos da escola quando nos separamos... E hoje em dia que é muito mais facil, muito mais simples... ninguem manda.
O palpável, com certeza era muuuito mais legal!
Amei teu post!

Beijinhos
Lívia

Família Teixeira (Alê, Flá, Gigi e Mimi) disse...

Putz, todo ano eu desejo enviar cartões de natal de papel, mas é tanta gente que me bate preguiça. Agora me bateu um arrependimento, rsrsrs.
Tb tenho a minha caixinha de coisas palpáveis e uma pasta enorme, que aguarda ser organizada há anos. Acho que vou começar...
Bjks!

Kati disse...

Nossa.. (pra variar) sou igualzinha! rs
Todos os anos mando cartões para meus familiares, inclusive para a família do meu pai, que se desgarrou completamente depois que a minha avó faleceu.
No segundo ano que enviei, minha tia me ligou chorando.. dizendo que me admirava muito, pois mesmo sem ter recebido um cartão dela de volta, continuei a mandar no ano seguinte. Não entendi o motivo de tanta admiração... mas depois me caiu a ficha... ela é muito orgulhosa.. a família do meu pai é muito orgulhosa. Tipo: "Só mando pra quem manda pra mim."

Ví... e agora a pergunta agoniadíssima de quem não aguenta mais esperar: RECEBESSE O MEU?!!??? rs

Bjos
Kati :)

Fabi Cimieri disse...

Eu tb trenho uma caixa velha e enferrujada do jogo war repleta de cartinha que trocava com as amigas de colégio e primos distantes na hora das aulas.
Mas eu não sou saudosista não. Acho que o mundo muda msm, como vc msm disse, nós é que estamos ficando velhas e sentindo falta de "coisas da nossa época".
Outro dia um colunista escreveu uma crônica parecida, mas falando das fotogrfias de papel, que tendem a desaparecer por causa das digitais. Eu não acho que seja melhor nem pior, é apenas diferente.
bjks e feliz ano novo pra todas!!!

RobertaPaiva disse...

Vi,
eu adoro receber uma carta, um bilhete ou até um guardanapo de papel com a letrinha do remetente ali impresso. Para mim tem uma importância infinita ver aquela letrinha escrita à mão.
A caligrafia de cada pessoa é uma marca muito pessoal e bonita como uma pinta, a voz, o olhar etc...
Fora que adoro rituais. E não tem nada mais gostoso que receber uma carta no correio, abrir o envelope cheia de surpresa e encantamento, segurar aquela folha em mãos e começar a leitura, que se transforma em uma grande viagem amorosa.
Eu acho que sempre haverá espaço para as correspondências não virtuais rs!
Eu gosto de segurar um livro nas mãos, ler o meu jornal dobrando as páginas, admirar as minhas fotografias nos álbuns e por aí vai...
Que 2008 seja um ano repleto de alegrias para todas nós:)
beijos
Beta