terça-feira, 2 de outubro de 2007

Todo amor que houver nessa vida

Vou continuar o post da Beta porque acho que esse assunto amor x paixão está no centro da alma da maioria de nós. Paixão é utopia. É o impossível. Como eu já me apaixonei nessa vida e como tenho saudades das minhas paixões platônicas, dos romances proibidos. Mas chega o dia, em que a gente tem que fazer a escolha de sofia, entre continuar pelos caminhos errantes ou apostar todas as fichas num homem só.

Afinal, uma coisa é ter vários ficantes aos 20, outra coisa é dormir sozinha aos 50, é ficar sozinha num hospital aos 80. Eu tenho dois medos enormes. O maior de todos é o de morrer, mas desse não há escapatória. O segundo é o de morrer sozinha.

Não preciso de ninguém para ser feliz, mas quando estou triste... preciso desesperadamente de um ombro, de um colo, de um cafuné. E isso, só o amor fiel pode proporcionar. "Não sei se é moderno ou careta, querer um amor tão eterno", diz um trecho de uma música da Adriana Calcanhoto.

É assim que eu me sinto. Não acho que o casamento seja um mar de rosas. Temos muitos espinhos, eu e o Dé discutimos à beça porque temos temperamentos muito diferentes e tem horas que ninguém tá a fim de ceder. Como disse a Vi, se a gente envelhecer juntos, será aqueles casais de caricatura, que vivem em discutindo por detalhes banais e bobos, mas que não conseguem viver um sem o outro.

Hoje em dia as relações são tão descartáveis. Fico vendo amigos meus que casam e separam logo depois. Afinal, o mundo nos chama, com tantas baladas e pessoas interessantes, que parece que estamos perdendo tempo se "gastamos" nossa juventude ao lado de uma só pessoa.

Quando eu era criança e meus pais se separaram, durante anos eu fui "a filha de pais separados da escola". Era raridade. Hoje, se bobear o difícil é achar uma turma onde a maioria dos pais estejam juntos. Lógico que há motivos e motivos para uma separação, mas percebo que existe uma banalização do "não deu certo, separa". As pessoas estão muito intolerantes e sem paciência umas com as outras.

Como seria se pudéssemos nos apaixonar e amar a mesma pessoa para sempre? Outro dia estava irritada com o Dé e voltava do trabalho dirigindo, mas não queria chegar logo em casa. Fiz um caminho maior e fui ouvindo um CD da Cassia Eller cantando Cazuza. Eu tinha uma alma mais apaixonada antes de conhecer o Dé e às vezes tenho vontade de sair por aí sem rumo, mas também era muito mais, vamos dizer assim, atormentada. Eu não consigo mais me imaginar vivendo separada dele. Acho que ele é uma espécie de "grilo falante" para mim.

Ah, e a música era essa:

"Eu quero a sorte de um amor tranqüilo

Com sabor de fruta mordida

Nós na batida, no embalo da rede

Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida

Todo amor que houver nessa vida

E algum trocado pra dar garantia

Que ser artista no nosso convívio

Pelo inferno e céu de todo dia

Pra poesia que a gente não vive

Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida

Todo amor que houver nessa vida

E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida

Te alcanço em cheio, o mel e a ferida

E o corpo inteiro como um furacão

Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão, ser tua comida

Todo amor que houver nessa vida

E algum remédio pra dar alegria"



obs- Whisky com Red Bull, Katy? Nem sei mais o que é isso!!!!

6 comentários:

Kati disse...

E esse veneno antimonotonia que não inventam logo?

:)

Lindo texto, Fabi.
Adoro "te ler".

Beta Paiva disse...

Fabi,
adorei o texto! Esse assunto realmente mora dentro de nós desde sempre!
Paixão deixa a gente atormentada mesmo rs!
Lembro que antes de eu conhecer o Cris, a minha relação com o amor era totalmente diferente, aliás acho que eu nem sabia o que era isso.
Eu vivia sempre apaixonada por alguém que eu acreditava que seria o meu par ideal e geralmente eles estavam mais para "sapos" que para príncipes". Mas é isso mesmo a gente vive a procura do grande amor, daquela pessoa que vai nos completar, fazer sentido, nos entregar o seu colo e os seus ouvidos, nos mostrar um outro lado da história. E quando encontramos esse alguém tudo se explica.
Essa música do Cazuza é maravilhosa eu adoro e diz tudo!
Concordo com você que atualmente os casais estão se separando mais rápido que nunca, acho que tudo está muito instantâneo e descartável...ninguém quer mais " perder tempo" com relações duradouras. Na verdade acho que essa galera que se abandona na primeira briga já casou sabendo que não ia ficar junto mesmo. Casamento é investimento, parceria, união,tem que querer que dê certo mesmo. E reafirmar isso diariamente!
Irão ter dias que eles vão estar um porre e nós estaremos mais chatas ainda, mas acho que o principal é querer realmente que dê certo, que dê frutos, que seja bom, feliz.
Bom mesmo como já disse antes de ter um amor cheinho de paixão rs!
bjs
Beta

Vívian disse...

Que lindo texto, Fabi! É bem isso mesmo, acho que não tem preço no mundo que pague a tranqüilidade de saber que há alguém esperando pela gente em casa, que teremos com quem contar nos bons e maus momentos. Uma vez li um texto que dizia algo como “case-se com alguém com quem você goste de conversar”. Conheci meu marido na faculdade e fomos melhores amigos por um ano. Quando começamos a namorar, já tínhamos milhares de horas de vôo – já tínhamos conversado sobre tudo, já sabíamos exatamente quem era quem. Para a gente, pode faltar tudo, só não falta conversa. Quando a gente senta no sofá, ao fim do dia, é tanto papo que, se bobear, a gente passa horas ali e nem sente. Claro que rolam os estresses do dia-a-dia, mas no fim tudo se resolve com... conversa! Rs! Sobre o texto da Beta, eu não me vejo de mãos dadas com ele no parque aos 80 anos porque ele é muito pouco romântico e com apenas 9 anos de relacionamento ele já esquece de beijar, abraçar e passear de mãos dadas (geralmente sou eu que tomo a iniciativa), mas acho que consigo imaginar a gente na sala de casa, batendo altos papos sobre nossos filhos e sobre o alto custo de manutenção das nossas cadeiras de rodas e aparelhos auditivos. “Heeeeeeein?”! Rsrs!

Família Teixeira (Alê, Flá, Gigi e Mimi) disse...

Esse lance de pais separados é engraçado. Pra combinar um bolinho de aniversário pra Giovanna, tivemos que calcular quais amigas estariam em "finais-de-semana-com-as-mães". A maioria absoluta tem os pais separados, inclusive a minha, rsrsrs.
Passei anos da minha vida acreditando no ditado "antes só do que mal acompanhada". Qdo eu brigo com o Alê, inverto o ditado. Prefiro estar(momentaneamente) "mal acompanhada do que só". Tb estou no time das que não sabem mais viver sem o marido. Pode brigar, pode discordar, mas preciso dele do meu lado, sempre. Dependo disso pra estar de pé e ser feliz.

Nas nuvens disse...

Caramba, me identifiquei demais com isso, Fabi. Um tempinho antes de conhecer o Ti eu estava cansada de buscar algo ou alguém que não sabia exatamente o que era. Foi muito bom ter encontrado meu porto seguro.
Agora, acho que sempre cabe aos dois, de vez em quando parar de querer ficar só na moleza da maré baixa e deixar um dia ou outro que a correnteza nos leve. Isso faz muito bem à relação.
Também adoro essa música. Ela tem um significado especial para mim.
Beijos,
Cris

Raphaela disse...

Ter alguém pra dividir a vida é muito bacana mesmo. Guga é aquele mar tranquilo, final de tarde com céu cor-de-rosa, sabe??? Acho que a gente vai ser o casal da pracinha que a Beta falou. Mil vezes uma vida com amor. Beijo!